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Triagem Legal

IA no atendimento do escritório de advocacia: o que observar

Antes de pôr uma IA para falar com os clientes do escritório: o que ela não pode fazer, como evitar respostas inventadas e o que perguntar ao fornecedor.

Atualizado em · 6 min de leitura

O risco não é a IA, é o que ela diz

Modelos de linguagem escrevem bem e com confiança, inclusive quando estão errados. Num atendimento jurídico, uma frase confiante e errada pode virar expectativa do cliente, reclamação e problema para o escritório.

Por isso, o que importa é menos "qual IA" e mais "o que ela está autorizada a dizer" e "quem decide isso".

O que um assistente de atendimento não deve fazer

Alguns limites protegem o cliente e o escritório, e devem estar garantidos pelo sistema, não só pedidos num texto de instrução que a IA pode ignorar:

  • Dar parecer ou dizer se a pessoa "tem direito".
  • Prometer resultado, prazo ou valor.
  • Dizer que é uma pessoa ou se apresentar como advogado.
  • Explicar ou citar lei para o cliente como se fosse orientação.
  • Inventar ou completar informações que o cliente não deu.
  • Segurar uma urgência em vez de chamar o advogado.

Publicidade e captação

A advocacia tem regras próprias de publicidade, definidas pela OAB no Provimento 205/2021 e no Código de Ética e Disciplina. Elas tratam de como o escritório pode se apresentar e do que não pode prometer.

Um assistente de atendimento responde a quem procurou o escritório; ele não deve sair abordando pessoas, oferecer vantagens ou usar preço e gratuidade como chamariz. Na dúvida sobre um texto, consulte o responsável técnico do escritório e o texto oficial da OAB.

Respostas inventadas: como evitar

A forma mais segura é a IA não ter a palavra final sobre o que é verdade. Em vez de deixá-la resumir livremente, o sistema deve guardar o que o cliente escreveu e ligar cada informação à frase de origem. O que não tem origem fica marcado para conferir.

Outra regra útil: na dúvida, passar para a equipe. Uma resposta confiante e errada custa mais caro do que uma conversa transferida.

Perguntas para fazer ao fornecedor

  • O assistente pode dar parecer ou dizer "você tem direito"? Como isso é impedido?
  • O que acontece quando perguntam se é um robô?
  • Como a ficha mostra de onde veio cada informação?
  • Como as urgências são reconhecidas e para onde vão?
  • Quem lê as conversas? Elas são usadas para treinar modelos?
  • Dá para assumir uma conversa no meio, com um clique?

Este guia trata de prática de atendimento e não é orientação jurídica. Para regras da profissão, consulte o responsável técnico do escritório e os textos oficiais da OAB.

Perguntas frequentes

IA pode atender cliente de escritório de advocacia?

Pode fazer o primeiro atendimento e a triagem, desde que não dê parecer, não prometa resultado, não se passe por pessoa e passe para o advogado o que precisa dele.

O assistente precisa avisar que é automático?

Ele nunca deve dizer que é uma pessoa. Se perguntarem, o escritório pode escolher transferir para alguém, ficar em silêncio ou dizer que é um assistente virtual.

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